6.12.07

O AMOR É SOLÚVEL NA ÁGUA

À luz da ciência, dizem que o amor activa no cérebro uma série de hormonas responsáveis pela produção e transmissão de excitação nervosa. A esse neurotransmissor chama-se DOPAMINA. Intensa energia, regozijo, pupilas dilatadas, pele arrepiada, seios arrebitados, são nada mais nada menos, reacções que se manifestam em resposta a estímulos de um emissor. Num local atípico, numa taberna, três conhecidos, um taberneiro e dois clientes desconversam sobre o sentimento. Um, António, sofre. O outro, Luís, tem fome. Teixeira o taberneiro, de audição apurada, entre a cabecinha de borrego assada e dois dedos de conversa, lá vai metendo o bedelho onde não é chamado, assim como, vendendo o que tem de melhor, uma aguardente caseira que faz sentir a quem a bebe, que a aldeia das tabuletas já esteve mais longe. Enquanto um constrói tristezas, o outro abate certezas. Um alicerça-se na dor da ausência, o outro já não tem paciência. Um diz, o outro desdiz. Um está assim, o outro preferia um assado. Um ainda quer da mesma solução, o outro diz que é beber da mesma infusão. Se calhar, se do amor se fabricasse chá, de dopamina está claro, a dor digeria-se com outra disposição. Sem abusar, numa chávena de água bem aquecida, misturar duas ou três colherinhas até a emoção se encontrar completamente dissolvida, depois é tomá-lo sem precipitações de qualquer espécie, em pequenos goles, caso contrário as queimadelas voltarão a abrir cicatriz. Teixeira, o taberneiro, diz que não… Diz que o amor cegou porque a loucura nunca o abandonou.
Ficha Técnica e Artística: Texto: Jorge Serafim Encenação: Colectiva Interpretação: Jorge Serafim; António Caturra; António Revez Desenho de Luz: António Revez; Miguel Conceição Operação Técnica: Miguel Conceição Direcção de Produção: Jorge Barnabé Produção: Lendias d’Encantar