20.10.09

Maria do Rosário Pedreira


Maria do Rosário Pedreira volta a valorizar, como temática maior, a mais arriscada de todas: o amor, ou, com rigor, o desamor. É claro que abundam declarações e queixas amorosas um pouco por tudo quanto se escreve, mas não assim, não fazendo apelo àquela vulnerabilização total, a um lirismo de sabor antigo que faz apelo ao lugar da mítica donzela das Cantigas de Amigo, eternamente esperando pelo amado que eventualmente nunca chegará. Já não se lia nada assim desde há muito e parece-me que, com esta qualidade, só podemos encontrar família para Maria do Rosário Pedreira na perfeita Mariana Alcoforado e nas suas obrigatórias Cartas portuguesas. Há um mesmo abandono na poesia de uma e epistolografia de outra, há esse mesmo sentimento de padecerem as coisas de uma efemeridade incurável que deixa o sujeito amador num carrossel de sentimentos, entre saber que o certo é o amor não vingar mas, ainda assim, amar como se o impossível pudesse um dia acontecer.
Valter Hugo Mãe

O "segredo" de O Canto do Vento nos Ciprestes, de Maria do Rosário Pedreira, é o obstáculo. O obstáculo, inerente a qualquer amor(…)
Maria do Rosário Pedreira ousa penetrar na vertigem de uma paixão que conserva em si o sentimento, mesmo já sem o Outro, após ter passado pelo pressentimento da perda. Não é o amor uma frutuosa incompletude? O desejo dir-se-ia, por outro lado, uma nostalgia - do que fomos e do que ainda misteriosamente somos...
(…)O discurso poético, torrencial, sem ser retórico; sentimental, mas vigiado, exibe um sujeito afundado na sua própria dor arrastada por um clarão cortante

Ana Marques Gastão, 
in: Diário de Notícias, 9-06-2001


Microfísica do Amor

Em "O Canto do Vento nos Cipestres", de Maria do Rosário Pedreira, os poemas repetem, cada um, a irreparável dor amorosa, a irreparável espera feminina por algo que não cessa de não chegar."
Maria da Conceição Caleiro, 
in: Público, Mil Folhas, 7 Abril 2001

informação retirada daqui


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